Algumas coisas acontecem e as vezes pessoas muito céticas iguais a mim depois simplesmente não conseguem explicar como chegaram naquilo. Não caros pregadores teístas, reservo-me no meu direito de crença em dizer que não é coisa de Deus.
Vou explanar um desses casos recente dentre muitos que vêm ocorrendo desde que conheci uma pessoa, a Bruna, que a meu ver, ou é meu verdadeiro talismã da sorte ou o destino dela não para de atraí-la para o meu lado (ou o meu para o lado dela).
Numa bela madrugada estávamos conversando no MSN quando pergunto a ela o que ela estava fazendo. Ela estava ouvindo música, um cantor de rock/MPB dos anos 80, Leoni. Eu sempre me amarrei em música dos anos 80, afinal eu vivi dessa época também, então em uma rápida pesquisada eu acho o site dele e verificando a agenda leio que ele estaria aqui perto, no Sesi Paulista sexta-feira dia 30. Ótimo, excelente música com excelente companhia, mostro a Bruna e ela adora a idéia e concorda em ir comigo.
Não preciso dizer que para mim a atração principal sempre será ela, o show é o bônus. Bem… Fiquei encarregado de comprar os ingressos, e ainda faltavam duas semanas para o show, então como eu iria estar bem ocupado durante a primeira semana, deixei para ir na segunda-feira dia 26, na semana do show, para ir atrás dos ingressos. Cinco dias de antecedência, sai de casa tranquilamente para ir ao Sesi comprar os ditos cujos, então que de lá me mandam para a bilheteria na FNAC que fica ali por perto também e de lá ouço uma tragédia: “Senhor, ingressos desse show já estão esgotados”.
Entro em choque, em parafusos, sem saber muito que fazer eu saio desolado. Bom… Jogo um email para ela com o aviso, mas temo que ela não leria a tempo. E cadê o telefone dela nessas horas… Começo a falar com amigos para traçar idéias para outros programas, mas sei que ela estava hiper ansiosa para ver o show, iria ser páreo duro achar algo tão bom quanto tudo numa sexta-feira à noite e que fosse economicamente viável para mim.
Reunimos milhares de idéias em um bloco de notas, mas nenhuma a meu ver chegava perto do que já tínhamos planejado. Terça se passa… Quarta… E eu nem conseguia mais dormir direito, isso me corroia por dentro aos poucos. Eu não iria agüentar ver ela chegando naquele show e se desapontar. Quinta eu resolvo tomar uma atitude, adianto meus afazeres na oficina e vou ao encontro dela na escola técnica que ela estuda. Jogo aberto e franco. Então consigo avisá-la, mas creio que ela ficara um pouco triste, mas pelo menos não iria receber o baque da notícia bem na frente do Sesi na hora do show.
Daí eu recomendo outros programas que ela queira fazer e indico cinema, mas que eu iria com ela a qualquer outro lugar que ela quisesse, então ficou combinado dela ligar para mim até o final da noite para acertarmos isso e os detalhes. Ela liga e recomenda uma peça que iria acontecer naquele mesmo prédio meia hora depois do Leoni, DESaTINADO, ótimo, era entrada franca. Combinado e novamente eu estava encarregado de conseguir os ingressos.
Sexta-feira o grande dia. Adianto meu serviço novamente na oficina e saio por volta das 4 horas da tarde para tentar conseguir pegar os malditos ingressos. Dessa vez não poderia ter erro, tinha que ser perfeito. Chego à bilheteria as cinco da tarde e… “Já se esgotaram os ingressos, só distribuímos 50 por dia logo quando a bilheteria abre ao meio dia…” Bom meus caros, sabem aqueles momentos que você quer ser atropelado por um trem, ônibus ou o que seja?
Saio para frente do Sesi novamente fracassado. O jeito seria apelar para o Plano B, cinema. O que não seria ruim, mas que na verdade não estava dentro dos planos, pois dois fracassos em uma mesma semana já estavam sendo demais para mim. Bem… Já eram quase seis quando avisto na frente do prédio um antigo companheiro de trabalho, o pipoqueiro Edson que há anos faz dali seu ponto de ganha pão. Conversa vai, conversa vem… Quando outro indivíduo entra na história, um dos porteiros e segurança do Sesi, que vem na “maciota” entregar algo nas mãos de meu caro amigo Edson que disfarçadamente coloca dentro da gaveta do carrinho de pipoca.
Anderson: O que é isso aí?
Edson: Ah?… Ingressos…
Anderson: Hmm, do que?
Porteiro: Show do Leoni, às 8 horas.
Anderson: Opa! Eu quero isso aí! Tem dois aí?
Edson: Tem, e como você é da galera pode levar pelo preço de custo.
Não meus caros, foi algo assim indescritível mesmo, sem explicação, pois eu que não tinha nada, depois me aparece tudo. Então cinco minutos, isso mesmo, apenas cinco minutos depois, ela aparece ao meu encontro e eu com os ingressos do que queríamos ver inicialmente em mãos.
Para ficar um pouco melhor ainda, os ingressos que tinham como lugares demarcados fileiras próximas as paredes, quando chegamos ao teatro, já estavam ocupados, então existiam vários lugares vagos na central e eu no maior dos atos de cara-de-madeira, sento-me com ela neles. Perfeito.
É amigos… Não é que eu duvide de destino e creia no acaso, apenas sempre acreditei que linhas de coisas que fazemos durante nossas vidas vão levando a tendências de coisas que possam acontecer a nós, ruins ou boas. Mas nesse caso e em outros que não contei aqui desde que a conheci… estou sem como explicar racionalmente até agora.
Será que se eu fizer um joguinho agora eu ganho pelo menos a quina da mega-sena?
Talvez apenas se ela escolher os números…